Translate this Page

Rating: 2.7/5 (2011 votos)


ONLINE
2





Partilhe este Site...


Orunmilá
Orunmilá

Orunmilá é a soma da sabedoria suprema, a vida e a morte, o nascimento da natureza, a visão total do mundo e da existência estabelecendo normas éticas que irão comandar as sociedades e os homens, e assim determinando uma conduta nobre diante de todas as forças que se formam contra o bem da humanidade. É o equilíbrio que ajusta as força que conduz a sustentação do planeta. Orunmilá representa a antiga sabedoria do Culto Yorubá. Orunmilá é o òrisá senhor da sabedoria e do conhecimento, que tendo adquirido o direito de viver entre o órun (céu) e o aiye (terra), tudo sabe e tudo vê em todos os mundos. Por isso, conhece todos os destinos e sabe como propiciar o sucesso em todos os âmbitos, além de revelar o òrisá pessoal de cada um, ou seja, a substância da qual cada um foi extraído na atual existência e como integrar o indivíduo neste princípio divino. Como elerii ipin (testemunha da criação), detém conhecimento do passado, presente e futuro de todos os habitantes do aiye e do órun. Orunmilá é o interventor e defensor dos seres humanos, sempre tentando minorar os sofrimentos e dificuldades que enfrentam na saga das suas sucessivas existências na Terra. Conta o itan que, após permanecer na Terra por algum tempo, Orunmilá retornou ao órun, esticando uma longa corda pela qual ascendeu. Os seres humanos ficaram totalmente desorientados, o caos, a fome e a peste imperaram na Terra, já que ele era o porta-voz da vontade de Olodunmare. O ciclo de fertilidade das plantas e animais foi interrompido, trazendo ameaça de extinção. O clamor pela sua volta não foi atendido, mas deixou com seus filhos os 16 ikin (coquinhos de dendezeiro), que se transformaram num importante instrumento de adivinhação. Entregou os ikin instruindo que sempre que desejassem as coisas boas e realizações positivas na vida, deveriam consultar os coquinhos. Daí nasceu o sistema oracular denominado Ifá, que auxilia o ser humano na resolução dos seus problemas cotidianos, nos conflitos e nas dúvidas existenciais, como mediador entre o humano e o divino. Uma modalidade orácular mais popular é o Opelé Ifá. Apenas sacerdotes iniciados no culto de Orunmilá - os Oluwo Ifá e Babalawo – são credenciados para utilizar esses oráculos. Os oráculos são baseados no sistema binário e comportam 256 combinações matemáticas que definem os caminhos de odú, com seus milhares de itans (mitos) e owe (parábolas). Sua missão foi organizar as relações humanas, e orientar em todo tipo de assunto, valendo-se para isto dos itans relatados pelos odús. Todo o corpo filosófico da religião yorubá se resume nesses signos de Ifá – os odús, que por sua vez se subdividem em caminhos com os respectivos itans, que são mitos de instrução, orientação e aconselhamento. Na tradição religiosa Ogboni-Ifá, nada se empreende sem prévia consulta ao oráculo, que é um instrumento de transmissão do aconselhamento divino para que situações sejam revertidas ou confirmadas./novo/orunmila ÀBORÚ ABOYE ÀBOSÍSE, SÃO AS CONTRAÇÕES DAS PALAVRAS: KÍ EBÓ FIN, KÍ EBÓ DÁ, KÍ EBÓ O SE. ISTO QUER DIZER (MEU SACRIFÍCIO SERÁ AUTORIZADO, MEU SACRIFÍCIO SERÁ ACEITO, MEU SACRIFÍCIO SE MANIFESTARÁ). ITAN ÒRÚNMÌLÁ FOI ACUSADO ANTE OLODUMARE E TINHA QUE RESPONDER A SEIS ACUSAÇÕES FEITAS, PELAS OUTRAS DEIDADES. ANTE DE IR, CONSULTOU IFA QUE MANDOU-LHE FAZER SACRIFÍCIO COM UM MACACO. ORUNMILA O FEZ. ELE FOI DESCULPADO DAS ACUSAÇÕES. DEPOIS DESTE INCIDENTE, NASCERAM TRÊS FILHOS. ELE CHAMOU O PRIMEIRO FI-OBO-RU (O MACACO SE USOU PARA O SACRIFÍCIO), O SEGUNDO FI-OBO-YE (O MACACO FOI USADO PARA VIVER) E O TERCEIRO O CHAMOU DE FI-OBO-SISE (O MACACO SE USA PARA CHEGAR). A SEGUNDA HISTÓRIA QUE RECITOU, FOI ASSIM. HOUVE UM TEMPO EM QUE A ORUNMILA LHE FOI MARCADO EBO, MAS NÃO TINHA DINHEIRO PARA FAZÊ-LO, ELE FOI ATÉ SEUS FILHOS, E IBORU LHE DEU 2000 CARACÓIS. IBOYE LHE DEU 2000 CARACÓIS E IBOSISE LHE DEU OUTROS 2000 CARACÓIS, COM ESTE DINHEIRO ELE COMPROU UMA GALINHA, POMBAS E OUTRAS COISAS NECESSÁRIAS PARA O EBÓ. DEPOIS DE FEITO, ELE CONVIDOU MUITAS PESSOAS PARA QUE FOSSEM COMER E OS CONVIDADOS O CONGRATULARAM PELO FESTIM DIGNO DE UM REI, MAS ELE LHES DISSE: “NÃO AGRADEÇAM A MIM POR ISSO, E SIM À IBORU IBOYE IBOSISE”. EM ALGUMAS PARTES DA TERRA YORÙBÁ, AS PESSOAS SEGUEM FALANDO ASSIM. ELES DIZEM, “ÀBORÚ ABOYÈ, IBO SÍ SÉ”. O DIALETO CONHECIDO COMO ÒNKÒ, NÃO SE LIMITA SÓ A ÈGBÁDO, A NÃO SER A VÁRIAS PARTES PRÓXIMAS TAMBÉM. “ÀBORÚ BOYÈ”, OU “ÀBORÚ BOYÈ, BO SÍSÉ”. O PRIMEIRO SIGNIFICA: “QUE SUAS “OBRAS SEJAM BENDITAS E ACEITAS”, A SEGUNDA SIGNIFICA: “QUE SUAS OBRAS “SEJAM ACEITAS”. A RESPOSTA DE UM BABALÁWO É: “AGBÓ, ATÓ, ÀSÚRE, “ÌWÒRÌWÒFÚN”, QUE SIGNIFICA: “QUE TENHA UMA VIDA LARGA E SAUDÁVEL, E “RECEBA AS BÊNÇÕES DE ÌWÒRÌWÒFÚN”. “ÌWÒRÌWÒFÚN” É UM ODÙ DE IFÁ. ÌWÒRÌ À DIREITA, ÒFÚN À ESQUERDA. USAMOS ESTE ODÙ PARA ABENÇOAR ÀS PESSOAS. IGUAL USAMOS ÒSÉRÙÚRÁ, ESPECIALMENTE PARA AS BÊNÇÃOS DURANTE UM SACRIFÍCIO. OGBO ATO! (FONTE IFÁ E ORISA) IKÁ FUN O CÓDIGO ÉTICO DE IFÁ - OS DEZESSEIS MANDAMENTOS DE ORULA EM IKAFUN O CÓDIGO ÉTICO DE IFÁ NASCE NO ODUN IKAFUN, E É TAMBÉM UM CONJUNTO DE REGRAS QUE SE DEVEM SEGUIR OU A QUE SE DEVEM AJUSTAR AS CONDUTAS, TAREFASOU ATIVIDADES. 1- O AWÓ NÃO DIZ O QUE NÃO SABE. 2-O AWÓ NÃO FAZ CERIMÔNIAS, DAS QUAIS NÃO TEM CONHECIMENTO. 3 - O AWÓ NÃO ENCAMINHA UMA PESSOA, POR UM CAMINHO FALSO. 4 - O AWÓ NUNCA DEVE ENGANAR AS PESSOAS. 5 - O AWÓ NÃO DEVE PRETENDER FAZER O SÁBIO, QUANDO NÃO ÉS. 6 - O AWÓ DEVE SER HUMILDE E NÃO DEVE SER EGOCÊNTRICO. 7 - O AWÓ NÃO DEVE SER FALSO E NEM MAL INTENCIONADO. 8 - O AWÓ NÃO DEVE ROMPER AS PROIBIÇÕES E TABUS. 9 - O AWÓ DEVE MANTER TODO SEUS UTENSÍLIOS LIMPOS. 10 - O AWÓ DEVE MANTER SEU ILÉ LIMPO. 11-O AWÓ DEVE RESPEITAR AOS MAIS DÉBEIS TRATÁ-LOS BEM E COM RESPEITO. 12-O AWÓ DEVE RESPEITAR E TRATAR BEM OS MAIORES. 13 - O AWÓ DEVE RESPEITAR AS LEIS MORAIS. 14 - O AWÓ NUNCA TRAI UM AMIGO. 15-O AWÓ NÃO DEVE REVELAR OS SEGREDOS. 16-O AWÓ RESPEITA AOS OUTROS AWÓ. A HABILIDADE DE COMPORTAR-SE COM HONRA E OBEDECER AOS MANDAMENTOS, É DE TOTAL RESPONSABILIDADE DO AWÓ. ESTES MANDAMENTOS DE IFÁ, NÃO SÃO SOMENTE PARA OS BABALAWOS E OLUWOS, SÃO PARA TODOS OS CRENTES NA CULTURA RELIGIOSA. ITAN DE ÒRÚNMILÁ. Òrúnmilá recebe de Obatalá o cargo de Bàbáláwo Fazia muito tempo que Obatalá admirava a inteligência de Orunmilá. Em mais de uma ocasião Obatalá pensou em entregar a Orunmilá o governo do mundo. Pensou em entregar a Orunmilá o governo dos segredos, os segredos que governam o mundo e a vida dos homens. Mas quando refletia sobre o assunto acabava desistindo. Orunmilá, apesar da seriedade de seus atos, era muito jovem para missão tão importante. Um dia, Obatalá quis saber se Orunmilá era tão capaz quanto aparentava e lhe ordenou que preparasse a melhor comida que pudesse ser feita. Òrúnmilá preparou uma língua de touro e Obatalá comeu com prazer. Obatalá então, perguntou a Òrúnmilá por qual razão língua era a melhor comida que havia. Òrúnmilá respondeu: "Com a língua se concede axé, se ponderam as coisas, se proclama a virtude, se exaltam as obras e com seu uso os homens chegam à vitória". Após algum tempo, Obatalá pediu a Orunmilá para preparar a pior comida que houvesse. Òrúnmilá lhe preparou a mesma iguaria. Preparou língua de touro. Surpreso, Obatalá lhe perguntou como era possível que a melhor comida que havia fosse agora a pior. Orunmilá respondeu: "Porque com a língua se caluniam as pessoas, se destrói a boa reputação e se cometem as mais repudiáveis vilezas". Obatalá ficou maravilhado com a inteligência e precocidade de Orunmilá. Entregou a Òrúnmilá nesse momento o governo dos segredos. Orunmilá foi nomeado babalawo, palavra que na língua dos òrìsá quer dizer PAI DO SEGREDO. Òrúnmilá foi o primeiro Bàbáláwo. Espero que principalmente nós, povo de òrìsá passemos a utilizar nossa língua com mais sabedoria. Ao invés de criticarmos uns aos outros porque não nos unimos? PARA ENTENDER O ÒRÌSÁ ORUNMILÁ-IFÁ O Senhor dos Destinos OLORUN distancia-se de todos os outros ÒRÌSÁ por ser o ALA IWA ABA L'ASE, ou seja, o Supremo ÒRÌSÁ da Existência, da Realização e da Essência de tudo aquilo que foi, é ou será. Podemos, pois, identificá-lo com o conceito universal de Deus e, como tal, Ele não tem culto próprio e nem sacerdócio particularizado. Mas, apesar disso, Ele não é tão remoto ou indiferente aos Seres Humanos que, em última análise, são as formas materiais de Sua própria criação espiritual, através da ação do ÒRÌSÁ OBÀTÀLÁ e da IYA MI ODUDUWA: as preces e orações sinceras O alcançam e Ele as responde através do ÒRÌSÁ Orunmilá. Porque é perante OLORUN que cada Ser Espiritual se "ajoelha", no Além, para pedir livremente a escolha do Destino de sua futura Individualidade Terrestre a reencarnar na Terra da Vida. Se assim aprouver a OLORUN, esse Ser Espiritual recebe Dele o beneplácito que o habilitará a tentar realizar ou bem consumar a Existência que Lhe solicitou, sendo o Irunmole Ajala o "modelador" da nova Individualidade Terrestre e o ÒRÌSÁ ÔRUNMILÁ o controlador do novo Destino solicitado. Mas, exceto quanto ao seu Olóojó/Dia Marcado para voltar ao Além, este Destino não é assim, tão fixo ou inalterável. Erros e acertos de conduta de um mortal podem afastá-lo ou aproximá-lo daquele objetivo adrede e livremente escolhido perante OLORUN antes de nascer e/ou renascer. Além disso, outros ÒRÌSÁ podem interferir a favor ou contra um mortal, conforme a conduta deste na Terra perante os deveres que tenha assumido com esses Seres Sobrenaturais, e, também, não podemos nos permitir esquecer que os Ancestrais, masculinos e femininos, podem exigir deveres sociais e espirituais a esse futuro mortal em relação aos seus descendentes na Terra. Também a Vida Terrena, para ser bem usufruída em sua plenitude, exige contra-dotes ou Oferendas de Restituição dos elementos, materiais ou astrais, consumidos ou utilizados pelo Ser Vivente, sem falar especificamente no Asè, força sutil mágica dos ÒRÌSÁ que dinamiza toda a Existência. Mas, infelizmente para nós, existe o fato inexorável de que cada um, ao nascer, se esquece do que sua contraparte espiritual escolheu para realizar nesta Terra da Vida. Assim sendo, não sabemos como devemos nos portar em relação ao nosso Destino e até mesmo qual seja ele e, portanto, quais são os contra-dotes de restituição que devemos ofertar a OLORUN, aos ÒRÌSÁ e aos Ancestrais para bem consumar nossos Destinos. É quando, muitas vezes, atônitos ou desesperados, devemos orava sinceramente ao ÒRÌSÁ Orunmilá: "Meu Senhor Ifá, eu pergunto: Quem é capaz de levar alguém até o Infinito? E estar sempre acompanhando este alguém?”. Esta é uma fórmula ritual de se pedir indiretamente que OLORUN ouça nossas preces e as responda através do ÒRÌSÁ Orunmilá, o Senhor dos Destinos. E é assim que aparece a função do ARA ORUN IMOLE IRUNMOLE OJU KOTUN ÒRÌSÁ FUNFUN ORUNMILA dentre todas as outras dos ÒRÌSÁ: ele é o Arauto dos Desígnios Absolutos do ALA IWA ABA L'ASE OLORUN, não só para os Seres do Além, mas também para todas as Individualidades Terrestres, pois o ÒRÌSÁ Orunmilá é um dos 2 (dois) Seres Sobrenaturais que podem livremente apresentar-se à presença de OLORUN e suportar-lhe o Esplendor ! O outro é Imole Esu e, por isso mesmo, este também está indissoluvelmente ligado à Adivinhação Sagrada de Ifá. Sim, é verdade que existe um terceiro Ser Sobrenatural que também pôde estar presente, mas apenas por uma vez, perante OLORUN e que está completamente esquecido dos fiéis no Brasil: o IMOLE OSETUWA! Por essa prerrogativa do ÒRÌSÁ Orunmilá é que os Bàbálawo ancestrais de Ilê Ifé, a Cidade Santa dos Iorubás, diziam que o nominativo Orunmila é derivado de um nome mais antigo, qual seja, Ela - e que derivaria do verbo La = Abrir. Assim, é nos lícito dizer que o nominativo Orunmila significa "latu sensu”: Orun = Além + Emi = Eu + Ela = Abrir, ou seja, "Aquele que pode abrir o Além!”. Este significado condiz com as suas funções e, também, com outras lendas que explicam o nome Orunmila como sendo uma contração do título OLORUN MO ELA, sendo OLORUN = Deus + MO = Reconhecer + ELA = Abrir, ou seja, "O Senhor reconhece Aquele que pode abrir o Além". E o ÒRÌSÁ Orunmilá abre o Além e comunica aos mortais os desígnios de OLORUN e dos outros ÒRÌSÁ e Ancestrais, através de intuições, premonições, sonhos, sortes, benefícios, mas também por inquietações, infortúnios, pesadelos e doenças que acabam por levar fiel ao Babalaô em busca da palavra final do ÒRÌSÁ Orunmilá: a Profecia! E é então que o ÒRÌSÁ Orunmilá, o Arauto Divino, assume a sua forma de Patrono dos Meios de Adivinhação, a sua forma Ifá. Desta forma, ele responde através dos instrumentos divinatórios sagrados do Opon/Tabuleiro e do Opele/Corrente e, mesmo, dos Búzios que são consultados pelos Bàbálawos/Pai do Segredo, os quais, inspirados por Orunmilá, guiados por Ifá, ajudados e vigiados pelo Imolê Esú, baseiam-se no que está "registrado" na Individualidade Espiritual do consulente e aconselham-no, instruem-no, orientam-no, prescrevendo as oferendas, os ritos, os comportamentos sociais e até, através de ditados populares, podem dar-lhe o conselho amigo para que este fiel do ÒRÌSÁ Orunmilá possa obrar para bem consumar o seu Destino. Esta é a função dos Bàbálawo! Mas, tudo isso, sem se esquecer de recomendar-lhe de Pa Esu/Acalmar Esú, porque ele é o Osije/Mensageiro Divino e o L'Onan/Senhor dos Caminhos, quer dos Onon Rere/Bons Caminhos, quer dos Onon Burúkú/Maus Caminhos, que ele abre ou fecha as Individualidades Terrestres, conforme o comportamento moral e ritualístico de cada um. Como Imole Esú recebeu a delegação dos outros Seres Sobrenaturais e dos Ancestrais para falar por eles, também estes, através da Divinação Sagrada de Ifá, podem solicitar aos fiéis para que lhes ofereçam alguma Oferenda especial, para assim evitar que se agrave um mau destino ou, ao contrário, para garantir a correta consumação do mesmo, porque também pode prejudicar a um Destino o fato de se desrespeitar um Ewo/Tabu de seu ÒRÌSÁ ou Eborá de Cabeça ou, então, sofrer-se a ação de terceiros que, contra nós, pratiquem Âjé/Feitiço. Mas os Sacrifícios Rituais da Divinação Sagrada de Ifá, conhecidos como Adimú, palavra cujo sentido é justamente "Abrigar-se", embora sejam oferecidos a esses Seres Sobrenaturais e aos Ancestrais protetores, são encaminhados a OLORUN que, entretanto, só os receberá através do Imole Esú, passando antes por Osetuwa, devendo a Oferenda, salvo instruções em contrário, contida nos próprios Versos dos Contos de Ifá, ser depositada no sacrário do Imole Esú: daí a necessidade de Pa Esú/Acalmar Esú. Note-se, entretanto, que o Imole Esú obedece irrestritamente ao ÒRÌSÁ Orunmilá, de quem respeita a Espada Divina que um dia o picou em mil pedaços, submetendo-o desta forma à função de Restituidor e Dinamizador do Asè, tornando-o também em Fiscal e Executor Divino de OLORUN, tendo como uma de suas funções primordiais diligenciar para que aqueles que realizam as Oferendas prescritas alcancem os seus objetivos e para aqueles que assim não o fazem, depois de alertados por infortúnios leves, sejam mais severamente incomodados ou até mesmo punidos. E é também por isso que desde a mais remota antiguidade o nominativo Ifá é interpretado como "Aquele que raspa", porque, através da Adivinhação Sagrada, ele Fa/Raspa as aflições, os infortúnios e as doenças dos fiéis que preceituam as Oferendas Rituais, no mesmo momento em que os Babalawos "raspam" o Pó Branco Consagrado do Tabuleiro de Ifá para Tefa/Apertar Ifa das Onon Ifa/Trilhas de Ifá, ou seja, quando eles traçam os Signos Gráficos dos Odu/Fundamentos da Tradição Oral Iorubá usando. É, pois, a Adivinhação Sagrada Ifá do ÒRÌSÁ Orunmilá que, baseando-se no que está registrado nas respectivas Individualidades Espirituais de cada um, oferece ao Ser Individual todo um roteiro de comportamento místico-religioso, sem se descurar do social e cultural baseado em precedentes míticos e históricos dos Ancestrais, mas baseado nos modelos sociais atuais, desta forma lidando com a medicina natural e a psicossomática, com o sobrenatural e o psíquico-drama das danças e cantos, usando exemplos históricos e atuais de comportamento pessoal apropriados para enfrentar as situações penosas ou difíceis que se pode encontrar dentro do contexto sócio e religioso de hoje em dia, os quais são surpreendentemente universais, pois universais são também as ações e reações básicas da Humanidade, ditadas que são pelas necessidades vitais do Homem. A denominação de Ifá, também dada a Orunmilá, estava sempre em relação ao uso do Tabuleiro e/ou da Corrente de Ifá, manejados ainda por alguns Bàbálawo no Brasil, pois este termo, além de significar "Pai que detém os segredos", significa também "o Senhor que usa o Tabuleiro". Mas, as pressões do Mundo moderno, com sua urgência e pseudo-objetividade, fazem com a maioria dos demais Bàbálawo se utilizem do Jogo dos Búzios, o qual é uma simplificação de uma simplificação (Corrente de Ifá) do ancestral Tabuleiro de Ifá. Seja como for, não importando os instrumentos usados, o importante é manter-se o que o culto ao ÒRÌSÁ Orunmilá possue a mais que os cultos de outros ÒRÌSÁ: uma rígida tradição milenar de capacidade e honestidade de seus sacerdotes em obediência às regras sagradas de ÒRÌSÁ Orunmila Ifá no trato com os fiéis e seus anseios. Mas, a meu ver, o segredo da Adivinhação Sagrada de Ifá reside no fato de fornecer um imenso alívio aos seus consulentes, no justo momento em que eles devem tomar as decisões mais graves e difíceis, pois como dizem os textos dos Fundamentos de tradição: - “Uma vez oferecido a oferenda, a questão fica nas mãos da Divindade”. E é justamente para colocar os nossos problemas existenciais nas mãos divinas é que devemos procurar a Adivinhação Sagrada de Ifá e, então, para ficarmos aliviados e agradecidos, orar ao ÒRÌSÁ Orunmilá: Ifá, ergunto: Quem é capaz de levar alguém até o Infinito e estar sempre acompanhando este alguém? ITAN DE ORUNMILÀ Orunmilá, como todos sabem veio em forma de homem, pelejou pelas terras africanas em missão dada por DEUS, Olorum/Olodumare. Em sua vida, teve esposa e filhos e sentia-se velho, não tinha fartura, trabalho, enfim, vivia desgostoso. Olorum ouvindo as suplicas de Orunmilá, deu sinais a ele procurar um Babalawo, que ao consultar Ifá, lhe indicou um ebó. O ebó consistia em 5 cabaças abertas e sacrifício de um galo. Cada dia uma cabaça e um galo, completando 5 dias. Ao depositar a oferenda nas encruzilhadas, uma entidade se apossava e se alimentava da oferenda. A cada dia fortificava seu corpo espiritual até que no quinto dia, tornou-se um ser humano. As 5 cabaças fecharam e ele as carregava com ele, pois era um enviado de Olorum para cumprir a missão de oferecer-lhe as 5 cabaças citadas, Paciência, Longevidade, Fertilidade, Riqueza e Sabedoria. No quinto dia, este homem seguiu Orunmilá até sua casa. Batendo à porta, ofereceu-lhe as cabaças pedindo para que escolhesse apenas uma. Orunmilá em dúvida chamou a esposa que lhe aconselhara escolher a Fertilidade, assim poderia ter vários filhos, além dos 3 que já tinha. Não contente, chamou os filhos, que aconselharam escolher a Longevidade, assim poderia conhecer os filhos dos seus netos. Não feliz, chamou os irmãos, que lhe deram o conselho de escolher a Riqueza, assim ficaria rico e não passaria mais necessidades. Orunmilá mesmo escolheria a cabaça da Sabedoria, mas mesmo assim ficou na dúvida e chamou seu melhor amigo, Exú. Exú quis saber o que sua família havia escolhido e disse que a única cabaça que ninguém se interessou seria a mais importante. Então Orunmilá obedeceu aos conselhos de seu amigo Exú e disse que quem escolhesse a Cabaça da Paciência, com o tempo teria as demais cabaças juntas. Orunmilá então ficou com a Paciência. O homem cumpriu sua tarefa e voltou para rua indo em direção ao Céu. A cada passo seu corpo físico desfazia e no caminho ao Céu uma cabaça acordou. A primeira que acordou foi a Sabedoria. Onde está a Paciência? Perguntou. Ficou na casa de Orunmilá, disse ele. Sem ela eu não volto pro Orun. De repente a Cabaça da Sabedoria sumiu das suas mãos. Mais adiante, acordou a Fertilidade fazendo a mesma pergunta. Até que todas iam acordando e sumindo, indo em direção a casa de Orunmilá. Quando chegou à porta do Orun, a entidade estava chorando de medo, pois tinha que trazer as Cabaças de volta. Ao entrar no Palácio de Olodumare, todos o esperavam, até Olodumare pedir para que entrasse e disse: "Você cumpriu sua missão?". Sim senhor, mas todas as Cabaças sumiram das minhas mãos e voltaram para a Casa de Orunmilá. Disse Olodumare acalmando-o: "Sim, quem escolher a Cabaça da Paciência, terá juntado dela toda a riqueza do mundo, vida longa, fertilidade e sabedoria. Não se preocupa que sua missão foi cumprida. Agora Orunmilá continuará vigiando e pondo ordem na terra. Esta é uma itán da qual podemos passar aos desesperados, pois com fé, com certeza Olodumare olhará por nós, dando-nos tudo que precisamos se tivermos conosco não a Cabaça em si, mas a paciência que morava dentro dela. Só para enfatizar - As amigas inseparáveis. A Paciência é a única sobrevivente e companheira da Esperança. É necessário quase que casamento entre as duas. Até que a morte as separe. Lembrem-se que a Dona Esperança tem vida longa. Paciência não. Como nós mesmos dizemos: "a Esperança é a última que morre.” A Paciência não. Espero que vocês tenham a Dona Paciência como amiga e aliada, pois sem ela, muitas coisas ficarão perdidas na vida, e se a dona Paciência morrer antes corremos o risco de a Esperança ir junto. Evite que isso aconteça com você. Conceito dos Mandamentos de Ifá. Muitos andam pela vida sem rumo e acaba indo buscar os conselhos de Ifá. Este era o caso dos ancestrais que buscaram cobrar de Ifá a promessa feita por Olódùmarè (Deus), que dava a eles uma vida longa. Assim Ifá advertiu: 1 - Não diga o que não sabem (èsúrú pode ser tanto uma conta sagrada como um nome de uma pessoa); 2 - Não façam ritos que não saibam fazer (novamente avisa não troquem a conta sagrada pelo nome); 3 - Não enganem as pessoas (trocando a pena de papagaio por morcego); 4 - Não conduzam as pessoas a uma vida falsa (mostrando a folha de ìrókò e dizendo que é folha de oriro); 5 - Não queiram ser uma coisa que vocês não são (não queiram nadar se vocês não conhecem o rio); 6 - Não sejam orgulhosos e egocêntricos; 7 - Não busquem o conselho de Ifá com más intenções ou falsidade (Àkàlà é um título usado para (Òrúnmìlà); 8 - Não rompam (não mudem) ou revelem os ritos sagrados, fazendo mal uso deles; 9 - Não sujem os objetos sagrados com as impurezas dos Homens; busquem nos ritos sagrados somente coisas boas; 10- Os templos devem ser lugares puros, onde a sujeira do caráter humano deve ser lavada; 11- Não desrespeitem ou inferiorizem os que têm maior dificuldade de assimilar conhecimentos ou deficiências no caráter, ajude-os a mudar; 12- Não desrespeitem os mais velhos, a sabedoria está com eles, à vida os fez aprender; 13- Não desrespeitem as linhas de condutas morais; 14- Nunca traiam a confiança de seu semelhante; 15- Nunca revelem segredos que lhe são confiados; falar pouco e somente o necessário demonstra sabedoria; 16- Respeitem os que possuem cargos de responsabilidade maior; o Babaláwo é um Pai, portanto, é devido grande respeito aos Pais. Mas os ancestrais não cumprem as determinações de Deus, trazidas e mostradas por Òrúnmìlà. Deus usa os Òrìsà para advertir o Homem, mas não obtém sucesso. O Homem não ouve os conselhos. Mesmo assim, em erro, o Homem ainda acusa a Òrúnmìla. Mais uma vez não reconhecendo seus próprios erros. O Homem tem esse hábito, o de culpar os outros pelas suas maneiras erradas. Diante de tais atitudes, Deus fica desobrigado de cumprir Sua palavra com o Homem, permitindo então que o Homem morra idoso e venha a renascer jovem, para que uma nova caminhada de aprendizados se inicie, em outra vida, em outro lugar, e quem sabe assim, nessa nova etapa, o Homem aprenda os mandamentos de Ifá pondo fim a esse ciclo sofrido. Assim se repetirão esses ciclos, até que o Homem aprenda a mudar, tornando-se um Egúngún Àgbà (Ancestral Ilustre) que recebe funções mais importantes no Òrun (no Além)!

topo