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Ervas Chás e Receitas
Ervas Chás e Receitas

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As plantas medicinais é solução para muitas doenças.     

    Há plantas que, mesmo na forma de chá, têm sido associada com a melhora de muitas doenças. O alcance e a gravidade das doenças que as plantas podem curar é impressionante. O tratamento com plantas medicinais não consiste apenas em aliviar os sintomas apresentados, visa também à recuperação das funções normais do órgão doente. Até a Organização Mundial da Saúde também percebeu a importância desse grande recurso e vem estimulando a sua divulgação.        Há um grande número de chás, mas as receitas mais fáceis e mais eficazes nem sempre são conhecidas no momento certo, para a condição certa. O uso de plantas medicinais, quando feito da maneira correta, também garante menor uso de remédios alopáticos e menos tempo de sofrimento as pessoas. 

No momento em que o primeiro ser humano surgiu no planeta, as plantas já existiam havia mais de 400 milhões de anos. Da forma como os conhecemos hoje, os primeiros vegetais apareceram durante a Era Paleozóica, no período Siluriano. Eles evoluíram a partir dos organismos eucariontes fotossintetizantes, uma espécie de algas primitivas. O homem moderno, o Homo sapiens , só ganhou forma e vida cerca de 50 mil anos atrás. A partir de então começou a fazer uso das plantas. Há registros antigos, como desenhos em cavernas, escritos e símbolos, que revelam uma ligação muito íntima do homem com a natureza, principalmente com as plantas. As plantas também sempre tiveram um papel muito importante na cultura, religião, medicina, estética e alimentação dos povos. Em relatos e documentos antigos, elas eram designadas como "dádivas dos criadores" e vistas com grande respeito e admiração por muitas civilizações. Nos rituais da antigü idade, os chamados "Iniciados no Mistério" eram preparados, durante longos períodos, com a ingestão de ervas, além de banhos e inalações por meio de incensos feitos de plantas consideradas m ágicas. Acreditava-se que, usando essas técnicas, o corpo, a mente e o espírito dos magos e sacerdotes estariam purificados para a comunicação direta com os mundos superiores. Com o passar do tempo, o estudo da botânica evoluiu, pois o homem foi desenvolvendo um senso aguçado e, aos poucos, classificando e catalogando as espécies em função de seu uso para os mais diversos fins. Essa classificação se tornou possível, a princípio, pela observação direta da forma das plantas: o formato das folhas, dos caules ou troncos e das raízes. As espécies tidas hoje como medicinais ou tóxicas começaram a ser classificadas pelo uso prático dos antigos habitantes da Terra. Muitas vezes, uma planta medicinal era descoberta simplesmente por apresentar uma morfologia semelhante a alguma parte do corpo humano e, assim, associada a ele no processo de cura. As ervas aromáticas, em especial, devido aos seus poderosos óleos essenciais, também foram empregadas desde o início dos tempos para a elaboração de cosméticos naturais, perfumes, dentifrícios e sabões. A mirra, o benjoim e a lavanda, por exemplo, já eram usados havia milhares de anos em perfumes e aromatizantes raros. A sálvia era utilizada para branquear os dentes: bastava criar o hábito de mascar suas folhas. Cada civilização, em cada parte do mundo, foi compilando suas diferentes experiências de forma empírica, deixando acumular até os nossos dias um vasto e inestimável conhecimento sobre as ervas, em grande parte comprovado pela ciência moderna.
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Brasil
As plantas e os primórdios da colonização O Brasil tem uma das mais ricas biodiversidades do planeta, com milhares de espécies em sua flora e fauna. Possivelmente, a utilização das plantas – não só como alimento, mas também como fonte terapêutica – começou desde que os primeiros habitantes chegaram ao Brasil, há cerca de 12 mil anos, dando origem aos paleoíndios amazônicos, dos quais derivaram as principais tribos indígenas do país. Pouco, no entanto, se conhece sobre esse período. As primeiras informações sobre os hábitos dos indígenas só vieram à luz com o início da colonização portuguesa, a começar pelas observações feitas na Ilha de Santa Cruz pelo escrivão Pero Vaz de Caminha, da esquadra de Pedro Álvares Cabral, em sua famosa Carta a El Rei D. Manuel. Um pouco mais tarde, entre 1560 e 1580, o padre José de Anchieta detalhou melhor as plantas comestíveis e medicinais do Brasil em suas cartas ao Superior Geral da Companhia de Jesus. Descreveu em detalhes alimentos como o feijão, o trigo, a cevada, o milho, o grão-de-bico, a lentilha, o cará, o palmito e a mandioca, que era o principal alimento dos índios. Anchieta citou também verduras como a taioba-roxa, a mostarda, a alface, a couve, falou das frutas nativas como a banana, o marmelo, a uva, o citrus e o melão, e mostrou a importância que os índios davam às pinhas das araucárias. Das plantas medicinais, especificamente, Anchieta falou muito em uma "erva boa", a hortelã-pimenta, que era utilizada pelos índios contra indigestões, para aliviar nevralgias e para o reumatismo e as doenças nervosas. Exaltou também as qualidades do capim-rei, do ruibarbo-do-brejo, da ipecacuanha-preta, que servia como purgativo, do bálsamo-da-copaíba, usado para curar feridas, e da cabriú va-vermelha. Outro fato que chamou a atenção do missionário foi a utilização dos timbós pelos índios, especialmente da espécie Erythrina speciosa , Andr. O timbó, de acordo com o Aurélio, é uma "designação genérica para leguminosas e sapindáceas que induzem efeitos narcóticos nos peixes, e por isso são usadas para pescar. Maceradas, são lançadas na água, e logo os peixes começam a boiar, podendo facilmente ser apanhados à mão. Deixados na água, os peixes se recuperam, podendo ser comidos sem inconveniente em outra ocasião". Quase tudo que se sabe da flora brasileira foi descoberto por cientistas estrangeiros, especialmente os naturalistas, que realizaram grandes expedições científicas ao Brasil, desde o descobrimento pelos portugueses até o final do século XIX. Essas expedições tinham o intuito de conhecer e explorar as riquezas naturais do país, conhecer a geologia e a geografia do Novo Mundo, bem como determinar longitudes e latitudes para a elaboração de mapas. Essas aventuras empreendidas pelos naturalistas, inclusive alguns brasileiros, contribuíram sobremaneira para a descrição de milhares de espécies de plantas e animais do Brasil. Conheça algumas dessas expedições: 1501-1570 – Américo Vespú cio (italiano, 1454-1512), Thevet (francês) e Jean de Léry (francês, 1534-1611): Foram os primeiros a explorar a fauna e a flora do país, descrevendo, de acordo com uma citação do pesquisador Newton Freire-Maia, "plantas e animais, os esquisitos frutos dos trópicos e as aves vistosas de nossas florestas". Léry,
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pastor calvinista e escritor, publicou o livro Narrativa de uma viagem feita à terra do Brasil também dita América (1578). 1638-1644 – Jorge Marcgrave (alemão, 1610-1644) e Guilherme Piso (holandês): Vieram a convite de Maurício de Nassau, em 1638, para estudar a fauna e a flora brasileiras. Marcgrave construiu o primeiro observatório astronômico da América (1639). Publicaram na Europa o livro História natural do Brasil e descreveram de forma detalhada os hábitos dos brasileiros em relação ao uso das plantas medicinais, especialmente os chás e ungü entos receitados pelos curandeiros negros, mulatos e caboclos — os quais, mais do que os pajés indígenas, ensinaram aos europeus suas receitas naturais. 1783-1792 – Alexandre Rodrigues Ferreira (brasileiro, 1756-1815): Ficou conhecido pelo cognome de "Humboldt brasileiro". Realizou extensas investigações em todos os ramos das ciências naturais, enviando um grande n úmero de manuscritos e espécimes botânicos, zoológicos e mineralógicos para o Real Museu da Ajuda, em Portugal. Boa parte de sua obra foi pilhada pelos franceses em 1808, durante a invasão de Portugal pelas tropas de Junot, marechal do exército de Napoleão. 1800 – Friedrich Heinrich Alexander, o Barão von Humboldt (alemão, 1769-1859): Na companhia de outro naturalista, o francês Aimé Bonpland, Humboldt viajou entre 1799 e 1804 por vários países latinos (Venezuela, Cuba, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e México). Na sua jornada coletou material suficiente para escrever 30 volumes da monumental obra Voyage aux régions équinoxiales du nouveau continent, fait en 1799, 1800, 1801, 1802, 1803 et 1804. Nessa obra, descreve v árias espécies de plantas brasileiras. 1816-1821 – Hyppolyte Taunay (francês): Preparador do barão e naturalista Georges Cuvier, veio ao país em 1816 com a finalidade de coletar espécimes vegetais para o Jardin des Plantes, de Paris. Em parceria com o historiador francês Jean Ferdinand Denis (1798-1890), publicou um livro sobre o Brasil, em 1822. 1816-1822 – Augustin François César Provençal de Saint-Hilaire (francês, 1779-1853): Botânico, ficou no Brasil entre 1816 e 1822, percorrendo os estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Conheceu as nascentes do Jequitinhonha e do São Francisco até Rio Claro. Viajou a cavalo ou em lombo de burro, em caminhos muitas vezes abertos com facão por seus acompanhantes escravos. Nos sertões, acabou servindo como médico para diversas comunidades, pois conheceu inú meras plantas medicinais pelo país. Coletou cerca de 7 mil espécies vegetais e publicou mais tarde os livros Plantas usuais do povo brasileiro (1824), História das plantas mais notáveis do Brasil e do Paraguai (1824) e Flora do Brasil Meridional (1825), obras até hoje consultadas na biblioteca de botânica da Universidade de Paris. Leia um texto de Saint-Hilaire. 1817-1835 – Johann-Baptist von Spix (zoólogo alemão, 1781 — 1827) e Karl Friedrich von Phillip Martius (botânico alemão, 1794-1868): Chegaram ao país em 1817, junto com outro naturalista, o austríaco Johann von Natterer (1787-1843). Faziam parte de uma comissão de naturalistas que acompanhou a duquesa Leopoldina d’Á ustria, que se tornou a primeira imperatriz do Brasil ao se casar com D. Pedro I. Estudaram profundamente a fauna e a flora brasileira, descobrindo espécies novas. Spix publicou os livros O desenvolvimento do Brasil desde o descobrimento até o nosso tempo (1821) e Viagem pelo Brasil (1823-1831). Martius publicou quase dez livros sobre o Brasil. De botânica, especificamente, foram dois: Gêneros e espécies de palmeiras (1823-1832) e a
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monumental Flora brasiliense (1840-1868). Spix e Martius voltaram para a Europa em 1820, enquanto Natterer ficou até 1835. 1822-1829 – Georg Heinrich von Langsdorff (alemão, 1774-1852): Médico e naturalista, passou pela primeira vez pelo litoral brasileiro em 1803, em viagem de circunavegação. Voltou ao Rio de Janeiro em 1813, como cônsul da Rú ssia. Em 1824, iniciou uma série de viagens pelo Brasil patrocinadas pelo czar Alexandre I, para as quais contratou o artista Johann Moritz Rugendas (1802-1859), o biólogo Georg Freyriss (1789-1825) e o botânico Ludwig Riedel (1790-1861). Entre 1824 e 1825, esteve na província de Minas Gerais, onde Rugendas abandonou a expedição. Entre 1825 e 1829, acompanhado pelos artistas franceses Aimé-Adrien Taunay (1803-1828) e Antoine Hercule Florence (1804-1879), que substituíram Rugendas, além do mesmo grupo de cientistas, o barão de Langsdorff empreendeu uma viagem ao Amazonas. A viagem terminou tragicamente, com a morte do jovem Taunay, afogado no Rio Guaporé, e a loucura de Langsdorff, aparentemente provocada por febres tropicais. Além dos desenhos e manuscritos, o acervo remetido para a R ússia durante a viagem incluía cerca de 100 mil amostras de espécies da flora tropical. 1825-1830 e 1835-1880 – Peter Wilhelm Lund (dinamarquês, 1801-1880): Estudou a fauna e a flora, mas suas pesquisas eram predominantemente de ordem paleontológica. Decidiu morar no Brasil, em Lagoa Santa (MG), por causa do clima, pois o frio das margens do Báltico prejudicava sua saú de. 1832-1836 – Charles Darwin (inglês, 1809-1882): Viajando ao redor do mundo a bordo do Beagle, entre 1831 e 1836, ficou pouco mais de quatro meses no Brasil. Na ida da viagem, em 1832, passou algumas horas do dia 20 de fevereiro na Ilha Fernão de Noronha (atual Fernando de Noronha), 18 dias em Salvador (29 de fevereiro a 18 de março) e três meses no Rio de Janeiro (4 de abril a 5 de julho). Na volta, percorreu novamente a costa brasileira, passando por Salvador (1° a 5 de agosto) e Recife (12 a 19 de agosto). Apesar de não poupar críticas à miséria e à condição dos escravos no Brasil, Darwin fez um relato emocionado sobre as florestas da América. Leia um trecho do relato de Darwin. 1848-1859 – Alfred Russel Wallace (inglês, 1823-1913) e Henry Walter Bates (inglês, 1825-1892): Co-descobridores da Teoria da Evolução, de Charles Darwin, os naturalistas chegaram juntos ao Pará em 1848 e tomaram rumos diferentes. Bates seguiu pelos rios Negro e Solimões, onde estudou a fauna e um pouco da flora, morando durante oito anos no vilarejo de Tefé. Retornou para a Inglaterra em 1859, levando uma coleção de 14.712 espécies de animais e vegetais, muitas delas novas para a ciência. Publicou o livro The naturalist on the river Amazonas (1863), traduzido para o português em 1944, no qual descreve muitas ervas medicinais usadas pelas populações ribeirinhas do Solimões. Wallace ficou no país somente até 1852, viajando por outros rios da Amazônia, mas perdeu sua valiosa coleção na saída do país, depois que seu brigue (embarcação de dois mastros), chamado Helen, sofreu um incêndio e naufragou próximo à cidade de Belém. 1852-1897 – Fritz Müller (alemão, 1821-1897): Emigrou para o Brasil, indo morar em Blumenau, onde se dedicou à agricultura e à descrição de inú meras espécies de plantas, peixes e crustáceos. Manteve correspondência assídua com Haeckel e Darwin, que o considerava "o príncipe dos observadores". É criador de um conceito importantíssimo para a genética e a teoria da evolução, o da ontogenia: "A ontogenia, ou desenvolvimento do indivíduo, é a recapitulação breve e r ápida da filogenia, ou desenvolvimento genealógico da espécie à qual ele pertence".
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1863-1866 – Eugênio Warming (dinamarquês): Morou por três anos em Lagoa Santa (MG), onde estudou muito a vegetação do cerrado. De volta à Europa, publicou os livros Lagoa Santa: Contribuiçã o para a geografia fitobiológica (1892), traduzido para o português em 1908 por Alberto Loefgren, e As comunidades vegetais (1895), primeiro livro de ecologia do mundo. 1865-1866 – Jean-Louis Rodolphe Agassiz (suíco, 1807-1873): Também foi discípulo de Cuvier em Paris, depois fixou residência nos Estados Unidos. Veio ao Brasil na Thayer Expedition, financiada pelo milionário americano Nathaniel Thayer. Estudou principalmente a fauna ictiológica da Amazônia, encontrando 1.800 novas espécies de peixes — mais do que as conhecidas no Atlântico, o dobro das do Mediterrâneo e dez vezes mais do que as espécies que Lineu conhecia em todo o mundo. Publicou diversos livros sobre o Brasil, entre eles História física do vale do Amazonas, Geografia do Brasil e O Rio Amazonas (1867) e ainda Uma viagem pelo Brasil (1868). 1884-1907 – Emile Auguste Goeldi (suíço, 1859-1917): Chegou ao Brasil para trabalhar no Museu Nacional do Rio de Janeiro, a convite do governo imperial. Com a queda da monarquia, transferiu-se para Belém, onde fundou o Museu Goeldi (1900), de história natural, rebatizado em 1931 por Museu Paraense Emílio Goeldi. Viajou pela região estudando a fauna amazônica e realizando expedições arqueológicas. Colaborou também nos trabalhos relativos à questão de limites do Brasil com a Guiana Francesa. Voltou para a Suíça em 1907, onde faleceu dez anos mais tarde. Entre suas obras estão Aspectos da natureza do Brasil, Maravilhas da natureza da Ilha de Marajó e Álbum das aves amazônicas (1900-1906).
Leia um trecho de Flora brasiliensis.
Martius e sua Flora brasiliensis O botânico alemão Karl Friedrich von Phillip Martius nasceu em Erlange, atual Alemanha, em 1794. Aos 23 anos, durante o curso de medicina, optou pelo estudo da botânica relacionada à medicina. Veio para o Brasil custeado pelo governo de seu país. Aqui estudou, coletou mais de 15 mil amostras de espécies da flora nativa, e as descreveu cientificamente, sendo descobridor de 160 novos gêneros e 5.689 novas espécies de plantas. Voltou para a Alemanha em junho de 1820. Sua grandiosa obra Flora Brasiliensis, importantíssima para o estudo da botânica e da química farmacêutica do Brasil, foi escrita em 40 volumes, rica e detalhadamente ilustrados por 3.811 estampas feitas pelos melhores desenhistas da época. Catalogou e classificou inú meras plantas medicinais, conhecidas e usadas pelo povo brasileiro no século 19, em seu livro Systema de matéria médica vegetal brasileira. Para chegar à redação final deste livro, o autor reuniu três séculos de conhecimentos sobre a flora brasileira em 90 títulos de autores e idiomas diferentes. Sua preocupação nessa obra era fornecer informações confiáveis e precisas para que os poucos médicos existentes no Brasil pudessem usar as plantas nativas, em vez de importar remédios da Europa. Martius sistematizou as plantas medicinais brasileiras usando três critérios: nome da família a que pertence a planta, o princípio ativo dominante (conhecido na época) e a
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grafia dos nomes das plantas, que algumas vezes aparecem escritos com nome popular. Os remédios caseiros também foram incluídos em sua classificação. Confira alguns trechos do livro Systema de matéria médica vegetal brasileira: "É mais eficaz uma planta usada fresca, colhida na época certa e a parte certa, do que seca e guardada por anos nas gavetas das boticas. Tenho toda a confiança que o progresso da medicina está também apoiado na doutrina do medicamento específico, e quanto mais estudarmos o valor medicinal das espécies, melhor trataremos da cura das doenças." "As suas virtudes (dos remédios caseiros ) somente serão acreditáveis pela continuação da sua fama entre os habitantes. Por isso considerei não haver razão para deixá-los fora deste trabalho, até para que possam ser apreciados por analogias com outros remédios, e que muitas vezes, na falta do principal, tornam-se extremamente ú teis." "Muito se engana quem acredita que todas as plantas medicinais brasileiras de que o povo faz uso foram indicadas pelos índios. Pelo menos metade delas foram indicadas pelos colonos e pelos habitantes pretos. E aos índios, poucas perguntas fizemos a respeito do uso de plantas medicinais. Os que sabem são, na grande maioria das vezes, velhos e mulheres velhas que fazem as vezes de médicos, mas sujeitos a tradições obscuras." "Um grande número das plantas mencionadas de fato já era de conhecimento e uso dos índios brasileiros, em conseqüência de suas virtudes medicinais. Tais como: as espécies falsas e verdadeiras de ipecacuanha, a contra-erva, a spigelia, o bálsamo de copaíba, a resina de jataí das espécies de Himenea, as sementes de anda e de urucum." "Reunidas todas as plantas, terá o médico à sua disposição como que legiões inteiras preparadas para combater as moléstias, e até mesmo será tal a superabundância de remédios, e os seus diversos princípios ativos, que antes por excesso do que por falta terá o colega de pensar para decidir o que receitar. É por meio da observação do período e forma de colheita que nasce o conhecimento de que os médicos precisam para distinguir e conhecer as circunstâncias em que as plantas devem ser colhidas e usadas, assim como é feito pelos médicos europeus." Algumas plantas medicinais descritas por Martius Assa-peixe: Boehmeria caudata , erva usada em banhos contra as dores de hemorróidas e Pilea muscosa , planta musgosa com espinhos em forma de dardos, usada na Bahia contra a disú ria (dificuldade para urinar). Umbaú ba: Planta do gênero Cecropia , da família das moráceas. Conhecida também por ambaíba ou ambaú ba. O suco da C. peltata (amabitinga) é refrigerante, empregado (com leite ou cozido com cevada e açúcar) contra a diarréia e a gonorréia. Aguara ciunha-açu ou jacua-acanga: Tiaridium indicum , planta usada como desobstruente e mundificante (purificante), empregada nas feridas, e ú lceras e outras afecções cutâneas provenientes do calor. Cipó-chumbo: Do gênero Cuscuta ( C. rac emosa Humboldt, C. umbellata e C. miniata Martius), o suco dessa planta é usado contra irritações pulmonares, tosses com
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expectoração sangüínea e rouquidão. A planta dessecada é colocada em feridas. Contém mucilagem e tanino.
China A sabedoria milenar da China inclui um vasto conhecimento sobre as plantas. Os chineses, já em tempos remotos, classificavam as plantas de acordo com seu uso na alimentação e na fitoterapia. Os taoístas tinham grande devoção à natureza, prezavam a harmonia e o respeito a tudo o que é vivo. Eles tinham como base filosófica e religiosa a completa solidariedade entre o homem e a natureza. Na culinária, a China acabou sendo uma grande escola para o Oriente e, mais tarde, para o Ocidente. Os chineses sempre foram hábeis na criação de novos pratos, repletos de criatividade, temperos e condimentos inusitados para os tempos antigos, como o gengibre, o alho e as sementes de gergelim. Na China Antiga, a medicina era caracterizada por uma riqueza excepcional quanto aos detalhes. Para os chineses, o n úmero cinco tinha um simbolismo especial, pois caracterizava o Universo com seus cinco elementos (metal, madeira, fogo, terra e água) e com os cinco principais órgãos do corpo humano (coração, pulmões, rins, fígado e baço). Além disso, faziam relações entre as plantas, cores e os órgãos do corpo humano. Os historiadores costumam dizer que os chineses eram mais próximos da sabedoria do que da ciência. Os documentos médicos mais antigos de que temos notícia são dos chineses, que, já por volta de 3700 a.C., diziam em seus tratados de medicina que para cada doença havia uma planta que seria seu remédio natural. A primeira farmacopéia chinesa teria sido escrita por Shen Nung, um imperador sábio que viveu entre 3700 e 2600 a.C. O imperador foi o primeiro a preparar os extratos de ervas, chegando a fazer ensaios e análises da composição, dos efeitos e das propriedades dos extratos, que eram dados com precaução aos doentes. Seu trabalho foi registrado em um livro preservado até hoje, o " Ervaná rio de Shen Nung ". Diz a lenda que o imperador podia observar com facilidade o que acontecia em seus órgãos, especialmente quando tomava algum de seus preparados de ervas, porque tinha o abdômen transparente. Nos dias de hoje, a medicina chinesa mostra-se ainda muito rica no que diz respeito ao uso das plantas na saú de. Muitas das ervas de alto poder cosmético que estão sendo estudadas e usadas atualmente são provenientes da China e já eram usadas havia algum tempo por aquele povo. A medicina chinesa influenciou muito, de início, a medicina japonesa. Esta acabou, mais tarde, trilhando seu próprio caminho, sempre com a prevalência do uso de produtos vegetais e animais nos processos terapêuticos. Por fim, os japoneses – que catalogaram mais de 800 variedades de ervas em suas práticas terapêuticas – contribuíram para influenciar a medicina do Ocidente.
Egito
A civilização egípcia teve seu apogeu em mais ou menos 3000 a.C. Já nessa época os egípcios tinham uma alimentação elaborada. Ao que parece, foram eles que inventaram a forma moderna de preparar pães e, nas grandes comemorações, chegavam a apresentar mais de 40 tipos, feitos com trigo, leite, ovos, mel e outros ingredientes.
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Os governos do Antigo Egito deixaram registrados nos papiros a especial atenção que davam à alimentação. Os alimentos eram quase sempre preparados de forma ritualística e as refeições constituíam momentos muito especiais, onde todas as pessoas se reuniam, discutiam assuntos e comiam calmamente. Essa característica peculiar pode ser comprovada pelas inscrições nas paredes das tumbas, feitas de forma cuidadosa, mostrando grandes recipientes cheios de alimentos, sempre ligados a s ímbolos espirituais. Na prática, os egípcios construíram câmaras especiais em homenagem aos seus deuses, onde eram colocadas oferendas de alimentos como grãos, bebidas e ervas de alta qualidade. No Antigo Egito, a medicina sempre esteve vinculada à astrologia, e havia uma forte relação entre as plantas medicinais, planetas e signos correspondentes. Os egípcios utilizavam as plantas condimentares de muitas formas, deixando-as até mesmo nas tumbas dos faraós e personalidades importantes para que estes fizessem uma viagem segura aos outros planos de existência. São comuns as citações dos papiros relatando a adoração que o povo tinha pelas plantas. O mais famoso deles é o Papiro Ebers , datado de 1550 a.C., que contém centenas de fórmulas mágicas e remédios populares usados na época. Esse papiro está exposto no Museu de Leipzig, na Alemanha, e contém uma coletânea de aproximadamente 125 plantas, entre elas o anis, a alcaravia, a canela, o cardamomo, a mostarda, as sementes de gergelim, o açafrão e as sementes de papoula. A história da aspirina também pode ser traçada a partir do Antigo Egito, onde se combatiam inflamações com um extrato obtido da casca do salgueiro. Esse extrato é que, mais tarde, permitiu a síntese do ácido acetilsalicílico – lançado comercialmente pela empresa alemã Bayer, em 1899, com o nome de aspirina. Na civilização egípcia, a cosmética também atingiu o n í vel de arte, voltada exclusivamente para engrandecer a beleza e o refinamento exótico que já reinava em todo o povo. Nos grandes templos, as essências perfumadas e os incensos eram oferecidos diariamente como presentes aos deuses para que estes, por sua vez, mantivessem a proteção sobre o grande faraó e todo o seu povo. As mulheres dessa época já dispunham de grande quantidade de elementos para seu embelezamento, o qual era extremamente valorizado em todos os estratos da sociedade. Óleos e bálsamos perfumados eram dispersos no corpo ou misturados ritualisticamente em banhos. Muitas plantas eram cadastradas como elementos ricos de promoção do bem-estar físico, tais como a camomila, que era usada em óleos de massagem para acalmar dores musculares ou simplesmente para se obter um profundo relaxamento. Suas flores eram dispersas também nas águas mornas das banheiras, proporcionando momentos ú nicos de prazer. De acordo com o historiador e egiptólogo francês Pierre Montet, os cuidados com a aparência física tiveram seu auge no reinado dos Ramsés (por volta de 800-700 a.C.). Nesse período, era comum banhar-se em águas perfumadas pelo menos de manhã e antes das principais refeições. Os habitantes tinham o hábito de despejar a água sobre a cabeça e ficar dentro de uma bacia com areia e ervas aromáticas purificadoras.
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Juntavam, então, substâncias dissolventes das gorduras da pele, provavelmente contendo cinzas e argila. A toalete diária era usada com requinte, e havia uma preocupação excessiva com o asseio geral e com a maquilagem. As mulheres costumavam pintar ao redor dos olhos fazendo com que parecessem mais alongados. A tinta tinha ações anti-sépticas eficazes, que, além de embelezar, impediam o desenvolvimento de inflamações nos olhos, tão comuns naquela época. Os cabelos, por sua vez, eram perfumados com essências nobres. Os cabeleireiros eram hábeis em inventar penteados exuberantes, criar tinturas ú nicas e produzir bonitas perucas coloridas. Além de tudo isso, eram correntes ainda os cuidados com as unhas dos pés e das mãos e o uso de verniz para cobri-las. Os egípcios preocupavam-se muito com o odor de seus corpos e, além de perfumes diversos, costumavam fazer uma mistura de terebentina e incenso contra os cheiros fortes do suor. Essa preocupação deu origem ao desenvolvimento da arte da perfumaria. No reinado da rainha Cleópatra, amante do imperador romano Júlio César, o Egito era salpicado de perfumes raros e delicados, feitos à base de ingredientes exóticos que eram trazidos de outras regiões do Oriente. A rainha Cleópatra obrigava suas servas a espalhar diariamente em todo o seu corpo determinados aromas que, por fim, acabaram seduzindo o grande general romano Marco Antônio, que se tornou seu marido. Existiu na época um perfume especial chamado de "cyprinum", feito com o óleo essencial extraído das flores da hena. Outra rainha apaixonada pelos óleos e aromas foi Hatshepsut, da 18a Dinastia, que esfregava em suas pernas uma loção à base de mirra para perfumá-las. O olíbano também era tido em alta consideração e usado no Egito em perfumes, fragrâncias ambientais, fumigações, incensos e receitas médicas. Conta a história que o olíbano era proveniente da Terra de Punt, atual Somália. Um conhecido cosmético antigo para tratar das rugas era um creme feito à base de olíbano, cera, óleo de moranga fresca e grama ciperácea.
Europa/Idade mé dia Com a queda de Alexandria, até então o empório de especiarias mais famoso do Oriente, a Europa saiu do domínio do Império Romano e entrou na Idade Média, muitas vezes chamada de Idade das Trevas. Nessa época, a Europa Medieval sofreu uma forte mudança dos hábitos alimentares. Os vegetais passaram a ser muito pouco consumidos, dando-se preferência para as carnes, os pães e as frutas. Contudo, há algumas citações de condimentos que ainda permaneceram na culinária nesse período. Eram empregados sobretudo para disfarçar o forte salgado das carnes em conserva, além de servirem de recheios, refogados e decoração de pratos culinários. O conhecimento das ervas e dos condimentos ficou retido nas mãos dos religiosos, que os utilizavam apenas para a medicina e a prática espiritual. As especiarias antes usadas na alimentação foram praticamente esquecidas, devido ao seu alto preço no mercado, que as tornava um artigo de luxo. Os religiosos acreditavam que esses produtos eram oriundos do Jardim do Éden, do Paraíso. Isso porque a origem dos melhores condimentos era
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sempre um mistério, provocando as mais diversas especulações, histórias fantásticas e lendas, que tentavam explicar de alguma forma sua procedência. Para ilustrar isso, no século XVI, Bartholomeu de Glanville, um enciclopedista inglês, acreditava que a pimenta-do-reino era resultante do chamuscamento da pimenta-branca no fogo. De acordo com ele, a pimenta-branca era o fruto de uma árvore que nascia numa grande floresta próxima às montanhas dos Cáucasos, cheia de serpentes; dizia ainda que o fogo havia expulsado as cobras para que as pimentas pudessem ser colhidas, escurecidas então pelo fogo! De qualquer forma, foi o trabalho minucioso dos religiosos dos grandes mosteiros que permitiu que o conhecimento das plantas pudesse ser passado para as gerações seguintes. Dentre outras coisas, os monges cultivavam as ervas em hortos e passavam grande parte do tempo fazendo cópias de manuscritos antigos que guardavam a história e a utilização das plantas medicinais. Na Idade Média, as plantas seguiram seu uso na beleza, restringindo-se porém sua conotação mística. Nessa época, as folhas de salsa eram usadas para fazer crescer os cabelos, curar a caspa e eliminar piolhos. Além disso, eram empregadas na pele do rosto para clarear e eliminar sardas. Também era muito conhecido o uso da alfazema, para limpar e perfumar os dedos engordurados de carne. Sua infusão era colocada em potes charmosos nas mesas de refeição logo após os grandes banquetes. Esse costume estendeu-se até o começo do século XX e abriu um grande espaço para a utilização dessa planta em diversos produtos. Apesar de o mundo estar passando por um período sombrio para a cultura e a ciência, o imperador dos francos e lombardos, Carlos Magno (768-814 d.C.), fez uma interessante definição do que era para ele uma erva aromática: "...é a amiga do médico e o prazer do cozinheiro". Sua atuação foi ainda maior quando ordenou que todas as "plantas ú teis" passassem a ser cultivadas nas hortas imperiais da Alemanha.
Europa/Renascimento Com o fim da Idade Média e o início do Renascimento, por volta de 1500 d.C., a botânica deu um grande salto, pois as plantas voltaram a ser catalogadas em grandes arquivos. Muitas preciosidades antigas haviam sido destruídas na época da Inquisição, principalmente com os incêndios provocados em diversas bibliotecas secretas. O que sobrou da Idade M édia foram apenas retalhos de uma grande história m ágica e científica. No século XVI, um suíço chamado Philippus Aureolus Theophrastus – mais tarde conhecido como Paracelso – viajou por toda a Europa à procura de plantas e minerais, mas principalmente ouvindo feiticeiros, curandeiros e parteiras. Para grande escândalo das pessoas cultas, ele não escrevia suas observações em latim, mas em linguagem comum, e tinha a audácia de comparar importantes estudos médicos com a sabedoria popular. Paracelso, fundador da alquimia, foi o precursor dos conceitos modernos da influência cósmica sobre as plantas e suas relações com os quatro elementos – água, terra, fogo e ar. A botânica secreta de Paracelso até hoje exerce grande atração sobre estudiosos do assunto e foi base, juntamente com a filosofia teosófica, para o desenvolvimento dos
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conceitos biodinâmicos da agricultura antroposófica, elaborados mais tarde por Rudolf Steiner. No final da Idade Média, os europeus haviam entrado em decadência em relação aos hábitos de higiene. Começou uma fase ascética, em que os cuidados com a alma inibiram o gosto pelo tratamento e pela beleza física. Nesse período, no entanto, houve a maior evolução da arte da perfumaria, que era necessária para disfarçar o mau cheiro e hálito das pessoas. Um famoso creme de beleza feito à base de polpa de maçã e folhas de alecrim, denominado "pomatum", surgiu nessa época e se tornou muito popular por volta do século XVI na Europa. Com o fim da Idade das Trevas, muitos estudiosos, a exemplo de Paracelso, voltaram a se dedicar de corpo e alma ao estudo da botânica, medicina e beleza. O médico e astrólogo inglês Nicholas Culpeper (?-1654) desenvolveu estudos vastos que atravessaram os tempos até chegar a nós. Ele afirmava, incondicionalmente, que os condimentos eram capazes de curar todos os tipos de doenças com seus potentes óleos essenciais. Dentre outras coisas, dizia que as pimentas, quando misturadas ao nitrato, eram capazes de fazer desaparecer as manchas, as marcas e o descoloramento da pele. Na França, o ponto forte foi o desenvolvimento da perfumaria. Por volta de 1379, em Paris, as monjas da Abadia de Saint-Juste criaram a famosa Água de Carmen, elaborada à base de folhas de erva-cidreira, limão, noz-moscada e cravo-da-índia. Na Grã-Bretanha, a família anglo-galesa Tudor, que reinou de 1485 a 1603, tinha grande devoção às ervas e plantas. A dedicação aos estudos das ervas e aromas é hoje um ponto muito forte da atual Inglaterra, que herdou muitos conhecimentos importantes de seus ancestrais. Nessa região desenvolveram-se exímios jardineiros, com lindos projetos de jardins, que envolviam plantas aromáticas perenes, como o alecrim, o tomilho, a lavanda e o hissopo. Essas plantas eram utilizadas na preparação de apetitosas saladas, feitas com folhas, flores e frutos, frescos ou desidratados.
Europa/Idade moderna Na Idade Moderna, a história dos condimentos foi marcada por muito sangue, guerras e lutas pelo poder e monopólio. Os países do continente europeu estavam cansados dos altos preços das especiarias e saíram em busca de novas partes do mundo. Afirmam alguns historiadores que foi o alto preço da pimenta-do-reino no mercado europeu que estimulou a expedição do navegador português Vasco da Gama, assim como a inveja do poder de Veneza foi o motivo pelo qual Espanha e Portugal saíram em busca do cravo-daíndia, do gengibre, da noz-moscada e da pimenta-do-reino. A quebra do monopólio veneziano, portanto, se iniciou com as grandes navegações. Assim, os portugueses e espanhóis, quando encontraram o caminho que levava às Índias, fizeram chegar ao continente europeu muitos condimentos exóticos, que logo se espalharam por várias regiões, incorporando-se à culinária de muitos povos. Mas foi um explorador francês, de nome Pierre Poivre (1719-1786), que definitivamente acabou com o poderio dos comerciantes do Oriente. Pesquisador exímio de especiarias, fez muitas viagens pelo mundo e acabou alcançando a Ilhas Maurício, onde encontrou milhares de sementes de noz-moscada e de muitas outras espécies. Conclusão: os
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condimentos se espalharam velozmente pela Europa, os preços no mercado baixaram e, enfim, as plantas aromáticas se tornaram disponíveis para todas as classes sociais. Foi o início da popularização dos condimentos. Nessa época, a alimentação era considerada monótona e desinteressante e as especiarias acabaram tendo um papel importante na inovação de sabores e aromas, em todas as cozinhas. Não se pode negar que os condimentos exerceram grande influência na cozinha européia, pois é muito difícil imaginar uma paella espanhola sem açafrão, um goulash hú ngaro sem a páprica ou ainda um steak au poivre francês sem a pimenta-do-reino.
Gré cia As plantas da Europa, mais precisamente da região mediterrânea, influenciaram de forma considerável os hábitos alimentares e terapêuticos de algumas civilizações. A primeira a receber essa influência foi a civilização grega, com a introdução na dieta de condimentos que nasciam de forma espontânea nos campos, vales e montanhas, como o alecrim, o manjericão, a manjerona e a salsa. As especiarias trazidas da Índia e de outras civilizações distantes também tiveram um papel importante na culinária da Grécia Antiga, pois havia na época um intenso intercâmbio de produtos com o Oriente, por meio dos navegadores e comerciantes. Para os gregos, as plantas aromáticas tinham o seu simbolismo: cada erva possuía um significado especial, como fidelidade, nobreza, amor e prazer. Esses conceitos mais tarde foram levados para a Europa Ocidental e para as cortes da França medieval. A medicina da Grécia Antiga tinha um caráter m ágico e sacerdotal, normalmente envolvida em fábulas e mitos. Os filósofos eram extremamente interessados no estudo do espírito e do corpo. Os hábitos de higiene corporal e mental eram sempre baseados no uso e experimentação de misturas das mais diversas plantas. As folhas de louro eram usadas tanto em banhos para limpar o corpo como na forma de incensos para purificar o ar dos grandes templos, permitindo a meditação profunda dos religiosos. Os cuidados de saú de da população eram feitos em santuários de cura espalhados por todos os lugares que dispunham de banhos especiais, alamedas cobertas de flores, aromas diversos pairando no ar e músicas melodiosas que acalmavam os ânimos mais agitados. Nessa época, era comum o emprego de ervas na preparação de ungü entos e bálsamos para massagear a pele dos heróis e guerreiros quando retornavam das batalhas. Era o caso, por exemplo, da alfazema, com seu perfume embriagador e delicado. O filósofo Aristóteles (384-322 a.C.) e seu discípulo e amigo Teofrasto (370-286 a.C.) criaram o primeiro sistema científico de classificação botânica. De acordo com esse sistema, as plantas eram divididas segundo seu porte, em ervas, arbustos e árvores. O historiador grego Heródoto (484-426 a.C.), conhecido como o Pai da História, descreveu em seus documentos diversos alimentos que eram conservados com vinagre e especiarias. Acreditava ele, por exemplo, que a utilização de flores secas de cardo-mariano teria o poder de coagular o leite para a fabricação de queijo.
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A utilização de plantas medicinais nessa época era muito comum na alimentação e na aromatização de bebidas. Havia, por exemplo, um licor de água de rosas que era misturado com ervas aromáticas e ingerido após as refeições. Nos escritos de Aristófanes, poeta cômico ateniense (meados de 450 a.C.) encontram-se citações de numerosos vegetais frescos e condimentos usados em sua época, a exemplo do alho, anis, cardo-mariano, rábano, tomilho e alho-porró. Hoje em dia, o cardo-mariano tem seu uso restrito à terapêutica. No herbanário do médico grego e farmacologista Pedanius Dioscórides (512 d.C.) há informações sobre o uso de um óleo feito à base de lírios, que tinha o poder de melhorar a aparência da pele. Sua obra principal, De mat é ria m é dica , foi a fonte mais clássica para a terminologia da botânica moderna até o século 16. Outros cosméticos vegetais eram utilizados para esse fim, elaborados à base de acácia, tamareira, alfarrobeira, zimbro, romãzeira, palma, sicômoro, anêmona, assa-fétida, genciana, benjoim e outros, misturados a trigo, aipo, alho, cebola, pepino, melão e cevada.
Índia Uma das mais antigas civilizações, a Índia sempre teve sua medicina dirigida para o uso das plantas e dos produtos de origem natural. A sabedoria hindu está toda registrada nos Vedas, um acervo escrito em sânscrito. O Yajur-veda, que é uma das divisões dos Vedas, contém muitas informações voltadas para a medicina e sua ética, com a predominância do uso de ervas e produtos naturais. Na Índia do ano 1000 a.C. encontramos o apogeu das ervas medicinais e mágicas. O principal objetivo da medicina hindu era prolongar a vida, e a principal fonte de conhecimento eram as ervas, filhas diletas dos deuses. Só podiam ser colhidas por pessoas puras e piedosas, e deviam crescer longe da vista humana e do pecado. Eram usadas basicamente de duas maneiras, uma para limpar o corpo e estimular as secreções e outra como sedativo. Charoka, famoso m édico indiano e profundo conhecedor da astronomia, dividiu a medicina em oito partes, uma delas dedicada ao rejuvenescimento. Dentro de seus estudos, Charoka divulgou mais de 500 remédios elaborados à base de plantas e os recomendou também para prolongar a vida e reduzir o peso em casos de obesidade. A história da Índia também se mostra bastante rica em relação à utilização de condimentos e especiarias, empregados desde tempos imemoriais em dietas alimentares especiais para o tratamento e prevenção geral de doenças. No tempo do rei Asoka (273232 a.C.), um dos grandes imperadores do país, os enfermeiros eram obrigados a ter um conhecimento aprofundado da arte culinária e do preparo de remédios. É muito clara a relação direta existente entre a medicina e a alimentação nessa época. Esses conhecimentos e práticas curativas, pela importância que tiveram, foram a base sólida para a formação da medicina ayurvédica e da fitoterapia, hoje expandidas pelo mundo todo. A Índia é um país que apresenta uma culinária muito diversificada, diferindo de região para região. É considerada a mais aromática de todas as culinárias do mundo, tendo como base a mistura de condimentos chamada de "masala". Os condimentos mais
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comuns são o cominho, o cravo-da-índia, a canela, a mostarda em grão, a pimenta-doreino, o açafrão, o cardamomo e o gengibre. As preparações culinárias indianas são mundialmente conhecidas pelo seu caráter picante e bem-temperado, devido à grande utilização da pimenta, do gengibre e do caril, também conhecido por curry, que é elaborado pela mistura de vários condimentos. O caril acabou tendo sua fama espalhada também no Ocidente, incluindo o Brasil, onde poucos conhecem realmente sua completa composição. Apesar de as pimentas serem ingredientes sempre presentes nos preparados, é bom lembrar que elas só foram realmente introduzidas no país no século XVI por mercadores portugueses. Devido ao tamanho territorial e à diversidade de clima existente no país, indo do temperado ao tropical, a Índia sempre teve condições de cultivar diversas espécies aromáticas, que deram uma enorme contribuição culinária ao mundo. Essas espécies eram comercializadas em várias regiões do mundo pelos navegadores, mantendo essa tradição de exportação de seus produtos até a atualidade. Para o hindu, a utilização apropriada e criteriosa dos condimentos é vista, ainda hoje, como uma arte complexa e especial. Em sua cultura, principalmente por ser um povo extremamente religioso, consideram o alimento um presente de Deus para a manutenção do corpo físico. Ocorre também o surgimento de lendas e histórias ao redor de algumas plantas, que acabaram se tornando um tabu para algumas sociedades. É o caso da cebola, do alho, do nabo e dos cogumelos, que não faziam parte da alimentação cotidiana das classes mais elevadas da sociedade indiana. Outra curiosidade é que na Índia, após as refeições, tem-se por hábito mascar folhas de "paan", também conhecido por bétel, que atua como digestivo e calmante. Encontra-se à venda normalmente em forma de tabletes enriquecidos com substâncias exóticas como açafrão, almíscar, fumo socado com água de rosas e mesmo folhas de coca.
Mundo árabe
A Arábia tem uma história marcante no que diz respeito aos condimentos. Muito de sua prosperidade foi baseado no comércio de especiarias, feito por enormes carregamentos para as regiões do Ocidente. A famosa história das Mil e Uma Noites é um rico arquivo de citações de diversas ervas condimentares de efeito afrodisíaco e com propriedades mágicas. Os árabes introduziram e popularizaram no Ocidente muitos condimentos, tais como o anis, o cominho, a canela, a noz-moscada e outros, os quais acabaram se incorporando à culinária espanhola. As especiarias alcançavam altos valores no mercado da época e eram normalmente reservadas ao consumo das classes privilegiadas da sociedade. Uma libra de gengibre, por exemplo, valia uma ovelha. Com uma libra de cravos-da-índia era possível comprar uma vaca. Um saco de pimenta-do-reino, valiosíssima, chegava a valer a vida de um homem. A medicina árabe, como em todas as outras civilizações antigas, também era ligada à religião. Dava-se também muita importância à higiene pessoal e eram rotineiros os banhos. De acordo com um dos versículos do Alcorão, a essência da vida era constituída por abluções, perfumes e orações.
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As mulheres dos haréns do norte da África e do Oriente Médio, principalmente as turcas, perfumavam seus hálitos e eliminavam o odor desagradável do corpo com banhos e loções feitas com as sementes do feno-grego.
Palestina e Babilô nia
A tradição simbólica das plantas na Antiga Palestina sempre esteve vinculada a citações bíblicas e suas respectivas interpretações. O Antigo Testamento cita cerca de cem espécies de plantas, entre elas ervas, árvores e flores, utilizadas não só na alimentação, mas também na medicina – como a mandrágora – e de forma ornamental. Muitas dessas espécies eram usadas como condimentos para enriquecer o aroma e o sabor de pratos feitos nas cerimônias religiosas. Podemos encontrar referências, por exemplo, da utilização do coentro, do alho, da cebola, do alho-porró, do açafrão, do cominho e da canela, entre outros. Na Antiga Palestina, cerca de 1.800 a.C., há outra referência bíblica: os descendentes de Abraão que rumavam a Canaã, conduzidos por Moisés, eram alimentados apenas pelo maná, que encontravam no deserto. Maná era o nome dado à resina da tamareira que, ao amanhecer, pendia como gotas de orvalho nas pedras e ervas, doces como o mel. Para o povo judaico, o alimento desempenha até os dias de hoje função muito importante nas cerimônias religiosas, apresentando um rico simbolismo. É interessante notar que os hábitos e preceitos alimentares judaicos influíram muito na formação de preconceitos gastronômicos em várias partes do mundo. Na civilização judaica antiga, os sacerdotes acreditavam num Deus ú nico e não havia lugar para superstições. A higiene era um fator importante e definida pela Lei Mosaica, que ditava preceitos da época. Com seus conhecimentos, os judeus deixaram um rico legado no que diz respeito à higiene e à medicina preventiva. Eram comuns também os banhos purificadores e ritualísticos, com o uso abundante de plantas e aromas. Os perfumes eram imensamente apreciados e usados com reverência não só pelos religiosos, mas também por toda a população. Em descobertas recentes, foi encontrado no mar Morto, juntamente com os famosos manuscritos, um frasco intacto de bálsamo perfumado. Na Babilônia, uma das mais conhecidas referências do uso de plantas medicinais está ligada ao rei Nabucodonosor, que mandou construir os Jardins Suspensos – a 7 a Maravilha do Mundo Antigo. De acordo com registros históricos, Nabucodonosor teria ordenado a plantação de alecrim e açafrão nos jardins, junto com rosas.
Roma
Em Roma, a presença das plantas medicinais e aromáticas também foi marcante. Podese dizer até que foram os romanos que definitivamente deram aos condimentos seu verdadeiro papel na culinária. Apesar de algumas civilizações terem ensaiado seu uso, foram os romanos que mais utilizaram os condimentos e ervas na cozinha. Além disso, eles estavam por todos os lados: nos pratos, na decoração, nas bebidas, nos incensos etc. Guirlandas de ervas aromáticas eram primorosamente elaboradas para enfeitar as festas e os banquetes, acreditando-se que isso evitaria a ressaca, tão típica daqueles excessos.
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Na concepção do poeta latino Ovídio (meados de 20 a.C.), os primeiros alimentos do homem foram as ervas. Os escritos filosóficos antigos mostravam quão íntima era a relação do homem com a natureza. As anotações do naturalista e escritor latino Plínio (século I d.C.) mencionam algumas plantas que eram cultivadas em hortas e consumidas na alimentação da época. Dentre elas, podemos destacar a cebola, a sálvia, o tomilho, o alho, o coentro, o manjericão, o anis, a mostarda, a salsa, a hortelã, a pimenta-do-reino, o cominho, as sementes de alcaravia e de papoula. Com a queda de Roma no século 5 d.C., o mundo islâmico passou a dominar o comércio do Oriente. Foi Avicena (980-1037), um renomado médico do Oriente, quem descobriu o método de destilação para extrair os óleos essenciais das plantas aromáticas, além de ter sido fundador de um sistema ú nico de medicina, que depois se espalhou pelo mundo inteiro. Em Roma, a medicina antiga foi formada com base na grega, absorvendo muitos de seus conhecimentos. Nos primeiros anos da era cristã, o famoso botânico e herborista Dioscórides divulgou muitos trabalhos sobre o poder curativo das plantas. De acordo com eles, há informações sobre um famoso óleo de l írios usado para aquecer, suavizar e desobstruir a pele, indicado especialmente para casos de inflamação. Os homens e as mulheres preocupavam-se muito com os cuidados do corpo e não abriam mão de poderosos tratamentos elaborados com plantas, óleos, pomadas e ungü entos. Usavam em abundância as essências aromáticas, os banhos de leite e as máscaras de beleza feitas de frutas e ervas, que normalmente eram misturadas a fermento e farinha. Ainda em Roma, o médico Galeno utilizava óleos vegetais especiais para preparar o "ceratum refrigerans", cosmético que ficou famoso através dos tempos pelos benefícios que trazia à pele. Os perfumes também eram bastante utilizados pelos romanos, como os perfumes feitos à base de hortelã-pimenta (para os braços), de manjerona (para as sobrancelhas) e de alecrim (para os cabelos). As frutas, como não podia deixar de ser, também eram empregadas na beleza. É o caso da maçã, usada juntamente com a lanolina em cremes de beleza para o rosto e corpo. Acreditava-se ainda que a polpa da maçã era capaz de eliminar verrugas. Os filósofos e poetas gregos e romanos, dentre eles Hipócrates, Teocrastos e Horácio, tinham um interesse especial por produtos que alteravam a coloração do rosto, ora branqueando-o, ora colorindo-o. Em Roma, dava-se também muita importância ao asseio pessoal e à higiene. Os balneários eram espalhados por todas as partes, em residências particulares, públicas e em prédios do Estado. Acreditava-se que os banhos de ervacidreira tinham o poder de devolver a juventude, dar energia e prevenir a calvície.
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A magia do reino vegetal A magia do reino vegetal baseia-se nos espíritos das plantas. Esses espíritos, chamados de elementais , são ligados aos elementos da natureza. Temos as s ílfides , que comandam as forças do ar; as ondinas , que reinam sobre as águas; os gnomos , que dominam a terra, e as salamandras , que comandam o fogo. Todos eles têm a tarefa de proteger e cuidar do reino vegetal. Os elementais são seres que habitam o plano astral, possuem inteligência instintiva e apresentam-se fisicamente nas mais variadas formas, tamanhos e cores. De acordo com os místicos, esses seres são capazes de curar e de proporcionar visões incríveis àqueles que comungam com sua existência. Os curandeiros, pajés e xamãs costumam, por meio de algumas plantas, entrar em um estado alterado de consciência, popularmente chamado de transe, no qual eles dizem contatar esses espíritos, detectando assim as doenças e as desordens presentes no corpo do paciente. Esses fenômenos psíquicos persistem nos dias de hoje, principalmente nas tribos indígenas e selvagens remanescentes, nos templos budistas e em determinadas confrarias derviches. A magia foi muito discutida e praticada na Antigü idade, deixando-nos como legado informações preciosas nos livros sagrados das antigas religiões, que ainda hoje são discutidas e empregadas em seitas secretas e também por pessoas comuns, por mera curiosidade. As tradições esotéricas mostram uma infinidade de utilizações das forças ocultas existentes nas plantas, com o poder de curar, matar, encantar e envenenar pessoas e animais, mesmo a distância.
Teoria das assinaturas
A Teoria das Assinaturas baseava-se no antigo provérbio "similia sim ilibus curantur ", ou seja, "o semelhante cura o semelhante". O médico e alquimista suíço conhecido como Paracelso (Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus von Hohenheim, 1493-1541) acreditava que tudo o que é criado pela natureza reproduz a imagem da virtude a que lhe é atribuída. Assim, essa teoria associa o uso medicinal e nutritivo de uma planta ao seu formato e cor. Um exemplo vivo disso é a romã. Seu suco vermelho era comparado ao do sangue humano e, por isso, usado como depurativo. Suas sementes, com formato de pequenos dentes e dispostas como tal na polpa do fruto, eram utilizadas para tratar de dores de dente. Antes das descobertas científicas dos séculos XVIII e XIX, quando ainda não se dispunha de técnicas para estudar as plantas com maior profundidade, a Teoria das Assinaturas foi de grande valia para ajudar os homens a encontrar a cura para seus males no meio natural. Hoje, ela representa uma forma de conservar e resgatar o conhecimento das comunidades de tradição oral, auxiliando no reconhecimento das plantas cujas propriedades medicinais foram colocadas em evidência anteriormente.
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A energia vegetal De acordo com a ciência esotérica, todos os seres existentes em nosso planeta possuem uma aura de energia que envolve e circunda o corpo material. Essa aura é carregada de acordo com a vibração do corpo que a rege, apresentando diferentes cores e intensidades. No caso das plantas, aparelhos especiais permitem que se detecte a camada energética que as reveste e que fornecem, de alguma forma, um direcionamento no seu uso terapêutico. Esses aparelhos medem até mesmo a afinidade de uma planta com determinada pessoa, explicando por que o uso da planta para a cura de uma doença será ou não positiva. Outros métodos de pesquisa demonstram a diferença energética no campo de uma planta em função do tipo de cultivo que ela teve. Assim, plantas que foram cultivadas com o uso de adubos orgânicos teriam um campo de energia mais equilibrado e luminoso do que aquelas produzidas com a ajuda de aditivos agroquímicos. De acordo com a sua energia, a planta pode ser usada também para equilibrar as emoções e sentimentos das pessoas. Muitas plantas são empregadas popularmente para a limpeza energética de ambientes e pessoas, por meio de incensos e fumigações, justamente porque algumas delas possuem qualidades transmutadoras que propiciam a modificação da vibração atômica, devolvendo a harmonia.

 




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