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ANGORÔ OU NKONGOLO
ANGORÔ OU NKONGOLO

 

ANGORÔ OU NKONGOLO

 

O angorô brasileiro, forma aportuguesada de Nkongolo é uma das figuras míticas mais conhecidas em todo o universo bantu, extrapolando fronteiras de povos e línguas diferentes. No Brasil ele é cultuado como o arco-íris e seu culto no candomblé Congo-Angola é bastante prestigiado. Temos aqui um mito relativo à angorô de origem Luba  que explica a razão do prestígio de tal Nkissi.


Também vamos encontrar o arco-íris entre alguns povos bantu com outros nomes, mas com as mesmas características. Nesse  mito aqui registrado o Nkissi aparece com seu nome bantu Nkongolo e com a função de arco-íris. Como o arco-íris é o sinal do final das chuvas e é um símbolo muito alvissareiro entre os povos das regiões tropicais e equatoriais do globo, regiões onde a chuva é necessária, mas nem sempre vêm com a regularidade que os homens gostariam, às vezes com prolongamento além do previsto, ou em forma de borrascas e tempestades destruidoras. Por essa razão, o arco-íris colorido e belo é sempre bem vindo, como um sinal de bons algúrios de que novos tempos de colheita e abundância virão. Por essa razão esse Nkissi é no Brasil bantu considerado o senhor da abundância e da riqueza porque, além deter uma aparência exuberante no céu, sendo  extremamente colorido é sinal de esperança de boas colheitas e muita fartura. 
Nkongolô é considerado pelos povos da Lunda como um herói fundador e há vários mitos relativos a esse personagem. O mito a seguir tem esta característica de mostrar Nkongolo como um herói fundador.

 

 

Este mito foi postado por Rodrigo, na comunidade Candomblecistas com a palavra no site do Orkut. O missivista não postou de onde tirou tal narrativa.

História do Nkongolo

Nkongolo insulta Mbidi Kilwê 
Mito recolhido na Luba – Congo RD

No país de Leste, Buhemba, na margem direita do Rio Lualaba, existiam um homem e uma mulher chamada Kiubaka-Ubaka. O homem Kibumba-Bumba  constrói muitas casas, enquanto a mulher faz muita cerâmica. Os dois não se conheciam mas o homem descobriu a mulher quando esta estava cortando lenha na mata. Os dois viveram durante muito tempo sob o mesmo teto, sem nunca se tocarem até o dia que descobriram o sexo vendo dois animais copulando. Passaram a viver maritalmente e ela teve filhos gêmeos de sexos opostos, filhos esses que se tornaram inseparáveis companheiros. Uma vez, os gêmeos encontraram um local rico em peixes, e passaram o dia na captura dos peixes. E  à noite, acabaram dormindo juntos e geraram filhos gêmeos que por sua vez geraram outros gêmeos. E assim, sucessivamente, gêmeos gerando gêmeos que passam aos pares a viverem longe de seus pais povoando a terra. Desse primeiro casal, é que saíram todos os homens para povoar as terras do oeste e entre eles um homem excepcional chamado NKongolo, que se tornou o primeiro Rei Divino da Luba, descendente de Kiubaka-Ubaka e Bumba-Kibumba.

Nkongolô dominava todas as terras do Oeste. Ele atravessou o Lualaba com um grande séquito, e construiu ali uma grande aldeia. Ao mesmo tempo, um caçador chamado Ilunga Mbidi Kiluwe deixou a sua aldeia para conquistar os povos que viviam entre o Lualaba e o rio Lubilash. Na volta para casa ele conheceu  seu primo Nkongolo e Mbidi Kiluwe ficou chocado ao ver que Nkongolo comia e bebia na companhia do seu povo, e foi com espanto que Nkongolo viu seu hóspede desaparecer por detrás de uma cortina na hora das refeições. Mbidi Kiluwe  lhe disse então que ele Nkongolo havia conquistado um país, mas não tinha conseguido observar a proibição elementar que obriga o Rei a esconder-se de seu povo quando  come ou bebe. E por essa razão, por esse litígio ele afastou-se de Nkongolo. Quando ele chegou ao Rio Lualaba, disse ao chefe local que tinha insultado Nkongolo. Mbidi Kiluwe tinha deixado para trás com Nkongolo suas esposas  Mabela e Bulanda, que estavam grávidas. Ele confiou-as aos cuidados do adivinho Mijibu.. Ele disse que ao chefe do rio que ele  iria reconhecê-los pelas suas peles negras, e que, se um homem de pele vermelha pedisse autorização para atravessar o rio, ele deveria recusar. Mas, se um homem negro pedir, ele deveria concordar..

Na aldeia de Nkongolo, Bulanda e Mabela  deram à luz cada uma  a um menino. Um chamou-se  Kisula e o outro Kalala Ilunga. Nkongolo convidou seu sobrinho, Kalala Ilunga, para um jogo, e, com a ajuda do Mijibu, Kalala Ilunga não teve dificuldades em ganhar de seu tio. Quando Nkongolo convidou novamente seu sobrinho a outro jogo, Mijibu magicamente deu a possibilidade de Kalala Ilunga ganhar. Nkongolo disse a mãe do rapaz a não contestar a Kalala Ilunga, mas irritado com a crescente notoriedade de seu sobrinho, Nkongolo cavou um buraco revestido com picos de ferro, e escondido sob um tapete.
Ele então convidou Kalala a dançar em sua honra.

 
Mijibu deu a Kalala duas lanças, e disse-lhe para brandir uma enquanto dançava e utilizar a outra para testar o solo sob o tapete durante a sua dança. Kalala Ilunga dança, e joga uma das lanças no tapete. A arma vazou pelo tapete, revelando a armadilha. Kalala Ilunga fugiu, determinado a encontrar seu pai. Nkongolo perseguiu-o, mas o sobrinho já tinha atravessado o Rio Lualaba quando seu tio chegou no barco. Fiel às ordens do Mbidi Kiluwe, o chefe local se recusou a permitir que o rei  cruzasse o rio.


Nkongolo tentou, em vão a construção de uma pedra que chegasse até do outro lado do rio. . Nkongolo então decidiu  atrair  Kalala Ilunga para o seu lado do rio. . Ele obriga o adivinho Mijibu e um Mungedi a subir no topo de uma grande árvore, e chamar o fugitivo de volta. Não houve qualquer resposta da parte de Kalala aos seus apelos. Mijibu e Mungedi passaram dois dias sem se alimentar no topo da árvore.
Mijibu escapou, graças aos seus poderes mágicos. Mas Mungedi morreu de fome. Mijibu conseguiu encontrar Mbidi Kiluwe, que preparou um grande exército e confiou o  comando para o seu filho.

Kalala Ilunga com seu exército conseguiu cercar a capital. Nkongolo conseguiu fugir. Uma mulher descobriu onde estava Nkongolo e Kalala Ilunga com seu exército rodeou o esconderijo de Nkongolo e este foi capturado, decapitado e castrado. A cabeça e os órgãos genitais do rei morto foram enviados em uma cesta por Kalala Ilunga a seu pai.

Um milagre então aconteceu na localidade de Lenga. Quando o homem que estava carregando a cesta colocou-a sob a terra, um enorme cupinzeiro formou-se sobre o cesto com extraordinária rapidez, enterrando-o sob um monte de terra vermelha. Mbidi Kiluwe lembrou a seu filho da necessidade de rituais e  observâncias exigidas para o enterro dos reis divinos. O rei foi obrigado a assumir sozinho a provisão de alimentos e de bebidas, e, longe da vista de todos foram consumidos. 
Uma casa teve de ser consagrada à preparação das refeições reais, porque foi proibido pelo rei que o mesmo comesse no mesmo lugar de todos. Depois de estabelecer firmemente o seu Estado ao longo do país, Kalala Ilunga tomou o nome de Ilunga Mwine Munza.

O segundo mito de Angorô foi recolhido por, Lui de. Heusch e é um mito de fundação tal como o mito precedente.

MITO 7, HOLOHOLO: L’EPOPÉ DU PEUPLE DE MWAMBA

HOLOHOLO: L’EPOPÉ DU PEUPLE DE MWAMBA
A EPOPÉIA DO POVO DE MWAMBA
Tradução livre do Prof. Dr. Sérgio Paulo Adolfo
Heusch, Lui de. Lê Roi Ivre ou L’origine de l’etat. Lês essais CLXXIII, Gallimard,1972

Em outros tempos, os homens não conheciam a guerra, as doenças e a morte. Uma mulher chamada Mwamba chega do sudoeste com seus quinze filhos. Kalala, o filho mais velho, carrega as lanças. Ao ver um caminho feito por uma colônia de formigas negras ele decide dedicar-se às artes da guerra. Sua mãe então se põe a rir do filho, por o mesmo ter tido tal idéia. Kalala tomado de intensa fúria enterra a mãe viva. Em seguida, ele encontra uma árvore gigantesca que liga o céu a terra sob cuja copa estão sentados cinco homens e Kalala mata três, enquanto os outros dois fogem. Kalala os persegue e os aprisiona. Os dois prisioneiros então propõe a ele que renuncie a guerra e organize uma dança. Essa dança transforma-se numa festa com a participação de muita gente da cidade do chefe Ilunga Nsungu, que era chefe de uma cidade além do rio Lualaba. Enquanto Kalala dormia, os homens de Ilunga Nsungu cavam uma grande fossa e recobrem a mesma com uma esteira. Quando Kalala acorda, todos retomam as danças. Os anfitriões, os homens de Ilunga Nsungo, o convidam hipocritamente para repousar sobre a esteira preparada por eles, para assim se livrarem do mesmo. Mas Kalala apenas aguarda sentado do lado da esteira, que é na verdade uma armadilha. Então, um dos homens que Kalala havia prendido, sobe na árvore até o céu. Cinco meses mais tarde, como ele não havia ainda descido, seu companheiro resolve ir ao seu encontro, e assim que começou a escalada na árvore o reencontra descendo e trazendo uma mensagem de uma grande cabra de cauda de fogo (nkuba, o Raio) que ele havia encontrado lá no céu e que ordenou ao mesmo que voltasse e fizesse a guerra. Em seguida, lançam-se contra Kalala e o jogam dentro da fossa preparada por eles.
Os quatorze irmãos de Kalala aparecem a sua procura e descobrem consternados o túmulo de sua mãe. Chegando a terra de Ilunga Nsungo massacram todas as mulheres que estavam a cultivar os campos. Ilunga Nsungo se defende lançando contra eles três potes contendo respectivamente as afecções cutâneas (musa), a varíola e as abelhas. Com esse ataque muitos escravos morreram, mas os quatorze irmãos sobreviveram e continuaram a guerra. Ilunga Nsungo resolve pedir o fim da guerra, propondo a paz e oferece cerveja a seus antigos inimigos. Como prova de amizade, no dia seguinte ele lhes pede para cortar seus cabelos, mas nenhum deles consegue, pois seus cabelos eram muito duros e só o caçula dos irmãos consegue fazê-lo depois de umedecê-lo com água. Furiosos por perceberem que o caçula era mais mal e ardiloso que eles, o matam e o decepam em pedaços. No entanto, durante a noite Ilungo Nsungo reúne os pedaços do moço e reconstrói graças a um remédio mágico. O rapaz ressuscita e seu salvador o esconde numa cabana para que seus irmãos não o descubram e o matem outra vez.

O excesso de cerveja reanimou o ódio dos irmãos de kalala e eles retomam as hostilidades. No entanto, o caçula salvo por Ilungo Nsungo dá-lhe de presente uma cabaça mágica que seu benfeitor sobe ao alto deuma montanha e de lá despeja o conteúdo da cabaça matando os filhos de Mwamba afogados.
O jovem que fora salvo por Ilungo Nsungo fica morando com ele e protetor encarrega-o de colocar armadilhas e caçar os pássaros que viviam ao longo do curso do rio, mas todos os pássaros aprisionados fazem um acordo com o jovem caçador, que se o mesmo os livrar poderá contar com eles, por meios mágicos, em casode uma doença. O jovem aceita a proposta e os liberta voltando para casa de mãos vazias. Ilunga Nsungo desconfiado resolve vigiar o Jovem e descobre que ele pode falar com os pássaros e os havia libertado. Tomado de ira ele o corta em pedaços. Mas os pássaros o reconstroem por meios mágicos, e carregam-no pelos ares levando perante a casa de sua tia materna. O povo de Mwamba toma as armas e empreende uma terrível guerra contra Ilunga Nsungo que sopra inutilmente sua cabaça mágica. Nenhuma água aparece então. Sendo assim, Ilunga Nsungo obriga-se a pedir armistício e passa a pagar tributos ao povo de Mwamba.

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